domingo, 13 de abril de 2008

Testemunho Agnóstico.

Durante anos, como muitos, aprendi a não questionar. Aprendi a não duvidar de Deus, já que estava muito além do meu entendimento. Aprendi a nunca duvidar da Bíblia Sagrada, já que o Sagrado nunca pode ser questionado. Aprendi também a amar o Senhor e Salvador Jesus Cristo, visto que Ele é o Filho do Perfeito, do Supremo, daquele que é Onipotente, Onisciente e Onipresente. Aprendi também a não questionar o Espírito Santo, uma vez que é o Espírito do próprio Deus.
Nada disso, segundo meu aprendizado, poderia ser questionado.
Além de ter aprendido a não duvidar, aprendi a amar tudo isso. Comecei a entender que para vivermos bem, para gozarmos das benção dos céu devemos ser obedientes e aceitar de todo coração e de toda a alma tudo aquilo que a Bíblia nos ensina. Aprendi a buscar o Espírito Santo, para que eu pudesse discernir o que é certo e o que é errado. O Espírito Santo é quem decidia por mim. Ele sempre foi meu guia, meu conselheiro, meu consolo nas horas de aflição. Ele me ajudava a interpretar a Bíblia e somente através Dele, mediante orações é que se podia fazer uma interpretação sensata daquilo que está escrito na Palavra.
Aprendi que somos rodeados por espíritos, que somos cercados de anjos, demônios e que ao nosso derredor está o Diabo, bramando como um leão, pronto para me devorar. E assim fui construindo meu mundo, com variadas criaturas, umas boas, outras más e a minha vida pouco a pouco foi se tornando a cada dia mais espiritual. Com o passar dos anos fui me tornando cada vez mais santo e puro, era um verdadeiro remido pelo sangue de Jesus. Meu mundo já não era mais aqui na terra, e sim no Céu. Era lá o meu lugar, era lá o meu Reino! Era lá onde estava meu Pai! E era lá para onde eu queria ir! Este mundo na terra não servia para nada. Era um mundo perverso e cruel, insuportável. Era um mundo que jazia no maligno.
Outras coisas muito importantes também aprendi. Aprendi que a Igreja era o lugar onde se reuniam os santos, os salvos. Aprendi que era Nela que eu adquiria o combustível para minha Fé. Aprendi Nela que devemos louvar ao Senhor Nosso Deus. Aprendi tantas coisas. Foi um aprendizado tão extenso que se tivesse que continuar escrevendo daria vários livros.
Aprendi também a obedecer ao Pastor, pois como um representante de Deus aqui na terra, deveria não só respeita-lo como também obedece-lo. Deveria ouvir a voz do meu Pastor. Ele era meu líder abençoado que estava sempre em contato com Deus e, eu era uma ovelhinha do seu rebanho.
E assim fui e, tudo isso fazia para mim muito sentido. Toda minha estrutura mental foi construída nessa atmosfera da superstição e é justamente aí que encontramos muitos problemas, pois apesar de considerar todo esse caminho verdadeiro, não foi esse o caminho que eu escolhi para mim. Foram outros que escolheram para mim. Foi uma verdade imposta. De forma bem simples: NÃO HOUVE LIBERDADE DE ESCOLHA.
Meu mundo se tornou um castelo cheio de fantasmas, na verdade uma fortaleza e parecia que nada poderia abalar as estruturas de meu império espiritual. Apenas parecia, pois existe uma arma que poucas pessoas buscam, uma arma que para possuí-la requer força de vontade, muita dedicação, muitas horas de estudo e, sobretudo coragem. Essa força poderosa, que muitos não possuem, quase sempre por acomodação se chama: CONHECIMENTO.
É através dele que progredimos e crescemos. É graças a ele que chegamos até aqui. Na história, sempre que a busca pelo conhecimento foi suprimida, o crescimento foi sufocado. Percebemos ao longo da história que toda nação teve seu Deus ou Deuses e que nenhum apresentava características distintas da nação que o criou. E assim foi com O DEUS DE ISRAEL, criado segundo a ignorância do povo primitivo daquela época. É diante desse Deus primitivo, O DEUS JEOVÁ, que muitos dobram os joelhos. É diante desse Deus que gostava de sacrifícios, onde o sangue subia até Ele como um aroma suave que muitos perdem horas e uma vida inteira em oração.
Fui percebendo que todos os Deuses são frutos da superstição, filhos da ignorância, Deuses formados e construídos segundo o medo e desconhecimento de cada povo. Existe uma maneira infalível de se encontrar os Deuses de um povo: Basta procurar na ignorância, pois é lá que achamos todos os Deuses.
O problema é que muitas pessoas têm dificuldade em lidar com as dúvidas. Isso é uma forma de ignorância, pois se soubessem o poder que a dúvida têm, ela não seria nenhum problema. A dúvida é flexível, a certeza não. As pessoas, a maioria, exigem certeza. Quando percebem que uma coisa não tem explicação, elas buscam uma resposta. A maior parte delas são vitimadas pelo medo do desconhecido e estão prontas a aceitar qualquer “verdade” que supra o incomodo do desconhecimento. Daí surgem as religiões. É como querer organizar a ignorância. É como procurar dar ordem ao absurdo.
Dessa forma fui percebendo que, caso um Deus exista, certamente ele não é o Deus de nenhuma das religiões. Então acabei aprendendo uma coisa muito importante: O DEUS JEOVÁ QUE TANTO ACREDITEI ERA UMA MENTIRA.
Agora, se o Deus da Bíblia era uma mentira, o que a Bíblia Sagrada era então? Podia ser várias coisas, menos Sagrada. Sendo assim, pela primeira vez na vida passei a ler a Bíblia. Na verdade, já tinha lido a Bíblia várias vezes, mas dessa vez foi diferente, pois dessa vez estava lendo a Bíblia sem os olhos de reverencia. Estava livre pra lê-la e interpreta-la com uma maior neutralidade. Foi uma experiência magnífica! É muito gostoso sentir que a venda que cegava meus olhos foram tiradas. Começava a ler com os olhos da verdade, começava a ler com os olhos do bom senso e da razão.
E fui percebendo as incoerências e contradições da Bíblia, suas crueldades, com mulheres e bebês. A crueldade de Deus com os homens, que a mando Dele ou por Ele mesmo eram mortos. Percebi que o povo escolhido de Deus era um povo que invadia outro povo e Deus matava o povo estrangeiro, sem poupar mulheres e crianças. Conforme lia a Bíblia percebia como tinha sido tão ignorante, tão ingênuo a ponto de aceitar um mostro dos céus como infinito em misericórdia.
Era o Deus Jeová, Deus do Velho Testamento, o Deus que muitos ainda dobram os joelhos. O Deus da Bíblia! Agora, depois do velho vem o novo, e assim me propus a ler o Novo Testamento. A primeira vista, imaginei que o Novo fosse bem mais tranqüilo que o Velho. Não vi a ira de Deus se manifestando de forma tão brutal. Não vi muito derramamento de sangue inocente. Cheguei a pensar que a ira de Deus tinha se exaurido. Pensei que Deus Jeová tivesse mudado para melhor. Quase ganhou minha simpatia, quase.
Quase Deus Jeová me fez pensar que Ele tivesse se tornado num Deus bom, mais humano, mais dócil. Doce ilusão. Ele só adotou uma outra tática. Uma tática infinitamente mais cruel, uma tática que diria: INFERNAL.
No Antigo Testamento Deus punia seus inimigos somente quando eles estavam em vida. O inimigo de Deus era logo morto. Ele saciava sua ira aqui mesmo, na terra. Mas tal Deus é infinito em ira e resolveu adotar uma tática diferente: ELE CRIOU O INFERNO. Agora, seus inimigos não serão mais punidos aqui na terra, pois seria muito pouco para tal Deus. Ele queria maior sofrimento e criando o inferno, seus inimigos sofreriam durante TODA A ETERNIDADE.
O Deus que eu achava que tinha se tornado mais humano, na verdade estava ainda mais enlouquecido.
Agora, como acreditar nesse Deus? Como acreditar nas Santas Escrituras?
Resolvi, com a mais calma e doçura não acreditar nem nesse Deus, nem na Bíblia.
Aprendi agora que tanto Deus como a Bíblia sempre foram uma fraude.
O problema é que muitas pessoas lêem a Bíblia como um livro isento de erros. Elas precisam lê-lo sem ares de reverência, pois assim não serão escravas de uma mentira.
Agora me restava a figura de Cristo. Seria ele o salvador da humanidade. O verdadeiro filho de Deus. Acredito que não. Se o Deus Jeová não é mais um Deus, logo a divindade de Cristo obrigatoriamente tende a desaparecer. No entanto, considero Cristo um grande personagem da história, que foi assassinado, mas em nenhum momento negou seus ideais. Foi um revolucionário da época, homem simples que se misturava entre os pobres e confortava a alma dos aflitos. Não acredito nas alegadas curas, nas alegadas expulsões de demônios, mas acredito na sua humanidade, no seu apego aos necessitados e oprimidos e seu combate não violento aos dominadores da época. Por outro lado, percebo algo muito problemático na personalidade de Cristo. Ele pregava sobre o inferno. Ele dizia que aqueles que não o seguirem iram queimar num lugar de fogo e enxofre e que ali haverá pranto e ranger de dentes. Isso é muito problemático, pois Cristo aparece na Bíblia como aquele que instituiu o inferno, aquele que mantém aquecido o caldeirão de fogo.
Sendo assim, observando Cristo num aspecto neutro, vejo com uma certa admiração e respeito como pessoa, mas nunca poderia admiti-lo como divindade, como nosso Salvador, como príncipe da paz.
Dessa forma, Deus, A Bíblia e a figura de Cristo já não tinham tanta importância assim para a minha vida.
Agora, e o Espírito Santo? E agora? Onde estaria este vento que sopra aonde quer e não sabemos para onde vai?
Como sempre fui um freqüentador de cultos evangélicos, daqueles mais moderados ao mais fanáticos, pude perceber face a face a ação do Santo Espírito na vida das pessoas. Ele realmente age de formas misteriosas. Ele faz as pessoas rodopiarem em cultos da igreja, Ele permite que as pessoas inventem “línguas estranhas” e repitam uma mesma frase várias vezes. Ele permite gritos misturados com lágrimas. Ele age de forma muito misteriosa realmente. Eu me perguntava: Para que tudo isso?
Na verdade o que acontece é um gigantesco apelo emocional. As pessoas que chegam a igreja normalmente possuem problemas e querem resolve-los. Podem ser problemas psicológicos, problemas sentimentais. Problemas que precisam de um suporte profissional, como terapia, são tratados pela fé.
Os líderes religiosos ficam numa posição de fácil domínio. Fica muito fácil para ele manipularem essas pessoas, pois elas carecem de ajuda, e como carecem de ajuda e eles prometem a cura, elas acabam se tornando pessoas altamente sugestionáveis.
Sendo assim, elas aceitam rápido tudo aquilo que é ensinado. Elas se apegam fácil à doutrina. Normalmente, aquela pessoa que teve uma vida mais problemática é a que tende a ser mais fanática, pois é uma pessoa fraca, não se sente capaz de conduzir sua vida decentemente por si mesma, e para preencher a sua incapacidade acaba se revestindo dos freios morais e psíquicos impostos pela religião. São pessoas com o ego bastante enfraquecido.
E dentro de todo um contexto de apelo emocional entra a figura do Espírito Santo, que serve como um apoio imaginário para aqueles que não tem a capacidade confiarem em si próprios.
Sendo assim, o Espírito Santo não passa de uma imaginação, sendo também fruto da ignorância.
Dessa forma, toda Trindade se desfaz diante dos meus olhos, Deus Pai, Deus filho e Deus Espírito Santo. Toda imagem e tudo que eu pensava a respeito desse trio divino não passavam de uma ilusão, uma mera superstição.
Enquanto disso, por detrás dos bastidores, as igrejas continuam crescendo. O império dos aproveitadores e exploradores da grande massa cresce a cada dia. O império dos lobos. Pastores ficam cada vez mais ricos e o rebanho cada vez mais pobre. As propriedades dos pastores vão crescendo a cada dia diante dos nossos olhos enquanto muitas ovelhinhas não tem dinheiro nem para comprar o pão de cada dia.
Agora, fui conduzido a reformular meu parágrafo inicial:
Depois de muitos anos, como poucos, aprendi a questionar. Aprendi a duvidar de Deus, já que em meu entendimento nada comprovava a sua existência. Aprendi duvidar da Bíblia Sagrada, já que de Sagrada eu não via mais nada. Aprendi também a respeitar a pessoa de Jesus Cristo e não considera-lo mais como um ser divino. Aprendi também que o Espírito Santo é apenas uma criação da imaginação humana, sem nenhum apoio racional.
Agora, o mais importante de todo o meu aprendizado: EU APRENDI A QUESTIONAR.
Pessoalmente não sou contra a liberdade religiosa de ninguém. Aqueles que acreditam que existe um Ser Supremo que os ajuda a conduzir na sua vida diária, não tenho nada a declarar. Muitas pessoas realmente precisam de uma certa dose de sobrenatural em suas vidas. E nisso, tem todo o meu respeito. Mas, aqueles que acolhem ovelhas para o seu rebanho através do medo, aqueles que ensinam que quem não concordar com determinadas idéias vão queimar eternamente no inferno, aqueles que com ares de falsa moralidade pregam preconceito como relação a mulheres, idéias diferentes, homossexuais etc... Quanto a esses, com a maior paz de consciência tem o meu mais puro desprezo, pois nada de útil nos tem a oferecer e sim apenas venenos, frutos da mais bizarra ignorância.
Sou a favor da liberdade de pensamento. Acredito que o ser humano para ser verdadeiramente feliz precisa ser verdadeiramente livre. Sou a favor da humanidade, acredito que nós seres humanos somos suficientemente capazes de resolver os nossos problemas sozinhos, sem precisar apelar aos céus. Confio no potencial humano, valorizo o ser humano. Não o considero um ser depravado em rumo a perdição e sim o supra-sumo do Universo, a pérola mais preciosa da evolução, com potenciais grandiosos e capazes de construírem um mundo cada vez mais harmonioso e feliz.
Meu Reino não é mais no Céu. Meu Reino é aqui e agora, na Terra.
Meu guia não é mais o Espírito Santo, nem Deus e nem Jesus Cristo. Meu guia agora é a Inteligência, o Equilíbrio e o Bom senso: eis minha Trindade.
Minha luz não é mais a fé e sim a razão.
Quando não sei uma de uma coisa, não apelo mais para a Fé e sim, busco o CONHECIMENTO. Se não for o suficiente, tenho a honestidade de admitir que: Não Sei.
E no fim, volto a repetir: PARA SER FELIZ É PRECISO SER LIVRE
Fonte: Edson Jr. Ele colaborou com esse belo testemunho onde muitos irão se identificar com essa questão.
Pessoal participa da comunidade e convidem seus amigos.Para visualizar a página da comunidade 'Evo vs Cria 2.0', acesse: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=47972464

Um comentário:

Tadeu disse...

me add no msn, nossas idéias batem em um reflexo assustador...
paradelatir@hotmail.com